SAHARA OCIDENTAL

ACTUALIDADES SEMANAIS

original:frances

SEMANA 01

30.12.01 - 05.01.2002

12.12.01
Suécia
Em resposta a uma carta que recebeu de três ONG suecas (também subscrita por muitos parlamentares, partidos políticos e organizações de juventude) a ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Anna Lindh, afirma que o governo do seu país continua a reclamar a aplicação do direito à autodeterminação para o povo saharaui. Considera que Marrocos não tem o direito de negociar os direitos de pesca nem de conceder concessões petrolíferas ou outras que digam respeito ao território saharaui e que as duas partes, em particular Marrocos, se deveria abstrair de todo e qualquer tipo de provocação.

24.12.01
Smara
Hadhiya Ould Hmeim, cidadão saharaui, foi detido em plena rua por forças especiais marroquinas, tendo sido depois brutalmente torturado e interrogado antes de ser abandonado na via pública. As autoridades de ocupação acusam-no de ter participado nas manifestações de 17 de Novembro em Smara, organizadas com o intuito de protestar contra a visita do rei de Marrocos aos territórios ocupados.(SPS)

24.12.01
Smara
Os estudantes do liceu Saguia el Hamra de Smara organizaram uma concentração naquele estabelecimento de ensino em sinal de solidariedade com os presos políticos saharauis e para exigir a sua libertação. (SPS)

27.12.01
Marrocos &endash; prospecção petrolífera
Em mensagem enviada às autoridades espanholas, o governo marroquino lembra a necessidade de ser respeitado o direito e os costumes internacionais, que impedem os países vizinhos a limitar de forma unilateral as fronteiras marítimas, antes defendendo que o façam de comum acordo. «As autoridades espanholas, acrescenta o comunicado, não ignoram que o direito e os costumes internacionais acordam estatutos diferenciados aos Estados continentais e às ilhas no que diz respeito aos seus direitos sobre os seus respectivos espaços marítimos. Sabem igualmente que os estudos geográficos e geológicos da região demonstram claramente que a plataforma continental marroquina não se limita à linha mediana.» Recorde-se que a empresa Repsol entregou um pedido de permissão de exploração petrolífera em redor das ilhas Canárias na base da regra da linha mediana, aplicável sempre que as águas territoriais sejam separadas por menos de 200 milhas marítimas.

31.12.01
Greve da fome
Desde o dia de Natal último que os presos políticos saharauis e os presos de direito comum da prisão civil de El Ayoun entraram em greve da fome por um período de tempo indeterminado, a fim de protestar contra as condições de detenção a que estão sujeitos. O movimento grevista está a ser seguido por 131 pessoas. Destes, 23 são presos políticos, detidos por terem participado em manifestações em El Ayoun e em Smara. Dentre eles, seis foram condenados em 20.12.01, enquanto que os restantes aguardam ainda julgamento. Os grevistas denunciam a repressão, as detenções e os julgamentos sumários de que foram vítimas e exigem a sua imediata libertação.
Aos presos políticos saharauis juntaram-se os presos de direito comum, os quais protestam contra a discriminação de que são alvo pelo facto de serem saharauis. Referem, nomeadamente, que as penas judiciais a que estão sujeitos são bastante mais severas que as aplicadas aos marroquinos pelo mesmo delito.
Sete reclusos foram transportados para o hospital, enquanto outros 25 apresentam graves problemas de saúde, havendo mesmo um preso que padece de diabetes e a quem foi recusado tratamento médico.
As condições de detenção na prisão civil de El Ayoun são deploráveis: com uma capacidade de acolhimento de cerca de 200-250 pessoas, o estabelecimento prisional conta actualmente com uma população de mais de 700 detidos. As células estão superlotadas, o que está na origem de condições de higiene inqualificáveis, propagação de doenças infecciosas como a tuberculose, o assédio e a promiscuidade sexuais, em particular a menores, que não dispõem de uma ala separada, assim como o tráfico de drogas.
Com o passar dos dias, a atitude das autoridades endureceu. Haddi Ahmed Mahmoud, preso de delito comum, acusado de ser o instigador do movimento de revolta, foi brutalmente espancado por cerca de duas dezenas de guardas e depois colocado no isolamento. O director da prisão utiliza ameaças e intimidações, proibe as deslocações para tratamentos médicos, passeios no páteo e a utilização do único telefone público da prisão. Os grevistas são constantemente ameaçados de transferência para outros locais de detenção em Marrocos. Dois dos detidos - Alharti Sidahmed e El Moutrib Sidahmed - foram efectivamente transferidos, a 3 de Janeiro último.
A 2 de Janeiro, em comunicado tornado público, os grevistas pedem às organizações de defesa dos direitos humanos, em particular à Fondation France-Libertés, que intercedam e intervenham em seu favor junto das autoridades marroquinas. Denunciam de novo as condições inumanas de detenção a que estão sujeitos. Pedem, por fim, ao secretário-geral da ONU e ao seu enviado pessoal James Baker que permitam ao povo saharaui poder exercer o seu direito à autodeterminação. ( corr., SPS)
A 02.01.02, o presidente saharaui, Mohamed Abdelaziz, solicita a intervenção urgente do Conselho de Segurança junto do governo marroquino em favor dos presos saharaui em greve da fome em El Ayoun.(SPS)
A Western Sahara Alliance Australia, por seu turno, dirige-se com a mesma intenção a Kofi Annan

02.01.02
Mães protestam
Em paralelo com o movimento de protesto na prisão, as mães dos presos concentram-se desde o dia 26 de Dezembro diante do tribunal de apelo e da prisão civil. A polícia dispersa-as sistematicamente confiscando-lhes todo o material de propaganda que possuem. Uma terceira concentração, organizada no dia 31.12., foi, uma vez mais, dispersa violentamente.
No dia 2 de Janeiro, 70 mães de presos concentram-se pela manhã de fronte da sede da wilaya de El Ayoun, pedindo a libertação imediata dos seus filhos, grevistas da fome. Dirigem-se à prisão não sem antes passarem diante do tribunal de primeira instância, o tribunal da apelo e o Quartel Geral da MINURSO, todos situados na mesma rua. No fim do percurso, a força anti-motim intervem brutalmente para dispersar a manifestação,carregando violentamente sobre as mulheres à força de pontapés e de bastonadas. 23 manifestantes ficam feridas. (corr.)

02.01.02
Prisioneiros de guerra
A Frente Polisario anuncia a libertação de 115 prisioneiros de guerra marroquinos por ocasião do início do novo ano e do fim do Ramadão. A libertação corresponde também a um pedido do presidente do Governo espanhol, José Maria Aznar. O gesto simboliza «o reconhecimento pelo interesse sempre manifestado pela Espanha em relação ao conflito do Sahara Ocidental». A Cruz Vermelha espanhola e o CICV encarregam-se do repatriamento. Continuam detidos ainda 1362 prisioneiros de guerra marroquinos.
O Governo espanhol exprime a sua satisfação pelo anúncio da libertação. Diz-se pronto a trabalhar, durante o período em que assumir a presidência da União Europeia, de Janeiro a Junho de 2002, numa solução para o conflito, incluindo os aspectos humanitários, no quadro do respeito da legalidade internacional e dos interesses e aspirações legítimas de todas as partes implicadas.
Em comunicado, a MINURSO pede às duas partes que libertem todos os detidos desde o início do conflito. A MINURSO é de opinião que a continuação do encarceramento dos presos de guerra constitui um problema humanitário sério,dado a sua idade, estado de saúde e duração do seu cativeiro.
O porta-voz do Quai d'Orsay «rejubilou-se pelo anúncio feito pela Frente Polisario de libertar, a pedido da Espanha, 115 presos de guerra marroquinos, o que, considera, um gesto positivo. A França, tal como todos os outros Estados membros da UE, está apostada em resolver os aspectos humanitários do conflito do Sahara Ocidental, nomeadamente a libertação de todos os presos de guerra marroquinos, conforme as recomendações do CICV.»

02-04.01.02
ONU
De visita aos acampamentos de refugiados saharauis, o Representante Especial do SG da ONU para o Sahara Ocidental, o diplomata norte-americano William Lacy Swing, é recebido pelo Presidente Mohamed Abdelaziz. Avista-se igualmente com os chioukh (chefes tradicionais) peritos na comissão de identificação da ONU e com os representantes da sociedade civil. Questionado pela agência saharaui SPS, William Lacy Swing qualifica a libertação dos 115 presos de guerra marroquinos de "gesto humanitário (que) todo o mundo irá aplaudir". Em relação à sorte dos 131 presos saharauis em greve da fome na prisão de El Ayoun, Swing afirma que está "ao corrente desta situação e em vias de o discutir por vias diplomáticas ".

Em declarações à mesma SPS, M'hamed Khaddad, coordenador saharaui junto da MINURSO, sublinha que «o percurso político do embaixador Swing (...) qualificam-no mais do que qualquer outro a desempenhar a sua missão». Abordando o encontro do diplomata norte-americano com o Presidente saharaui, Khaddad declarou que, em particular, insistiram «sobre a necessidade de ser retomado o mais depressa possível o processo de aplicação do plano de resolução das Nações Unidas». Para M'hamed Khaddad, a Frente Polisario «acaba de dar uma nova prova da sua boa vontade e da sua disponibilidade ». Menciona o acordo dado aos organizadores do rallye Total-Dakar para transitarem pelo território saharaui, assim como a libertação "unilateral" de 115 prisioneiros de guerra marroquinos. (SPS)

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